quinta-feira, 11 de junho de 2015

Ficção e realidade

A fronteira dos nossos sentidos. Talvez isso seja a realidade. Uma construção da mente do daquilo que a rodeia. A leitura tridimensional do espaço. A perceção do que vemos, sentimos, cheiramos, provamos, ouvimos ou sentimos. A realidade de mim está em mim. A de ti parte de ti. A realidade veste-se de tempo. Da cronologia em cascata de si. De uma sucessão de eventos cumulativos, sucessivos, com precedência no instante anterior. A realidade que nos envolve contempla evidências do passado. Da plenitude da realidade anterior, quer ela tenha sido próxima, como no minuto seguinte ao nascimento, ou muito distante, nos fósseis petrificados com testemunhos milenares evidentes. Na ficção tenta o ser humano recriar realidades imaginadas. Libertar as amarras da mente, infringir a certeza dos sentidos e construir um quadro novo, ficcionado. Na ficção reside a vanguarda mais ousada da criação. A vontade ousada de assemblar um universo novo. Ou será a ficção um braço esticado na esperança de agarrar uma realidade nova muito próxima? Na versão mais recente da série Cosmos, interpretada agora pelo brilhante Neil deGrasse Tyson, os episódios sucedem-se com uma mistura harmoniosa de realidade e ficção. A nave do Neil é a ficção que nos transporta no tempo e no espaço do universo. Pela sua janela apresentam-se as realidades conhecidas deste e dos vizinhos mundos. Na astronomia, a realidade estende-se um pouco mais para além dos nossos sentidos. Os telescópios, radiotelescópios e super computadores trazem-nos evidências de realidades indeléveis para estes 5 sentidos. Na investigação de topo atinge-se ainda um paradigma de realidade mais ousado. Consegue-se prever, por coerência da ciência, evidências não detetáveis até então. O bosão de Higgs é disso exemplo. Detetado em 2012 pelo acelerador de partículas, andou praticamente 50 anos na esfera da ficção, da mera predicção de Peter Higgs, um físico britânico. Encontrada a tecnologia capaz, o bosão ficcionado é tornou-se realidade nossa. A realidade não existe. Existe é em cada um de nós a ficção da realidade.


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